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"Plano B": v√≠deo mostra bastidores de trama para sabotar as eleições

V√≠deo liberado pelo Supremo revela reunião em que Bolsonaro cobra de integrantes do governo um "plano B" contra o TSE

Por Luana Patriolino em 10/02/2024 às 06:00:42
O vídeo da reunião faz parte da investigação que apura suspeita de tentativa de golpe de Estado por parte de Bolsonaro e auxiliares - (crédito: Reprodução/Video)

O vídeo da reunião faz parte da investigação que apura suspeita de tentativa de golpe de Estado por parte de Bolsonaro e auxiliares - (crédito: Reprodução/Video)

Um vídeo apreendido na casa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presid√™ncia da República, mostra que o ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes do governo tramaram para inviabilizar as eleições de 2022, com temor de serem derrotados pelo petista Luiz In√°cio Lula da Silva.

As imagens revelam uma reunião, em 5 de julho de 2022, na qual Bolsonaro aparece nervoso, proferindo palavras de baixo calão e fazendo acusações gravíssimas a ministros do STF e Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O sigilo do vídeo foi levantando, nesta sexta-feira, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

No encontro, o ex-chefe do Planalto admite a possibilidade de perder o pleito e fala em "plano B", caso isso acontecesse.

"Se a gente reagir depois das eleições, vai ter um caos no Brasil, vai virar uma grande guerrilha, uma fogueira. Alguém tem dúvida que a esquerda, como est√° indo, vai ganhar as eleições?", disparou Bolsonaro. "Só pra gente prestar atenção. (...) A fotografia que pintar no dia 2 de outubro acabou, p*! Quer mais claro do que isso? Nós estamos fazendo a coisa certa, mas o plano B tem que botar em pr√°tica agora."

O então presidente reagia a uma declaração do ministro Edson Fachin, à época presidente do TSE. O magistrado dizia que as auditorias em curso sobre o sistema eleitoral não eram instrumentos para rejeitar o resultado das urnas eletrônicas.

Depois, o ex-chefe do Executivo voltou a falar das eleições por diversas vezes. Em um dos trechos, frisou aos ministros que eles não poderiam deixar "acontecer o que est√° pintado".

"Nós não podemos, pessoal, deixar chegar as eleições e acontecer o que est√° pintado, est√° pintado. Eu parei de falar em voto imp.. (ele não termina de dizer impresso) e eleições h√° umas tr√™s semanas. Voc√™s estão vendo agora que... eu acho que chegaram à conclusão. A gente vai ter que fazer alguma coisa antes."

Em seguida, cobrou ações de seus ministros: "Vamos esperar o qu√™? Alguém tem dúvida do que vai acontecer no dia 2 de outubro? Qual resultado que vai estar às 22h na televisão? Alguém tem dúvida disso? Aí a gente vai ter que entrar com um recurso no Supremo Tribunal Federal... Vai pra p* que o pariu, p*. Ninguém quer virar a mesa, ninguém quer dar o golpe... Ninguém quer botar a tropa na rua, fechar isso, fechar aquilo... Nós estamos vendo o que est√° acontecendo. Vamos esperar o qu√™?".

Entre os participantes da reunião estavam os então ministros da Justiça, Anderson Torres; do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno; e da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; além do ex-ministro da Casa Civil e vice na chapa de Bolsonaro à reeleição, Braga Netto. Todos eles foram alvo da Operação Tempus Veritatis (Hora da verdade, em latim), deflagrada na quinta-feira pela Polícia Federal.

De acordo com a investigação, foi montada uma organização criminosa, com seis núcleos (desinformação, incitação aos militares, jurídico, operacional, intelig√™ncia paralela e núcleo de oficiais de alta patente) para atuar em uma tentativa de golpe de Estado e manter Bolsonaro no poder. Também teria sido elaborada uma minuta golpista que previa a prisão de Moraes.

Segundo fontes, a c√Ęmera que filmou a reunião estava atr√°s de um vidro com película, e a probabilidade é de que os ministros não sabiam que estavam sendo gravados.

Os investigadores da PF também apuram se Mauro Cid gravou a reunião por conta própria ou se o fez com o consentimento de Bolsonaro. Ainda h√° a hipótese de que tenha sido registrada como "documentação histórica" para os golpistas.

Forças Armadas

No encontro, o ex-presidente afirmou que a Justiça Eleitoral errou ao convidar as Forças Armadas para integrar a Comissão de Transpar√™ncia das Eleições, pois a decisão, segundo ele, o beneficiava.

"O TSE cometeu um erro quando convidou as Forças Armadas para participar da Comissão de Transpar√™ncia Eleitoral. Cometeu um erro. Eles erraram. Para nós, foi excelente. Eles se esqueceram que sou o chefe supremo das Forças Armadas?", ironizou.

Em 2021, as Forças Armadas e outras entidades foram incluídas pelo TSE na Comissão de Transpar√™ncia. O grupo foi criado com o objetivo de ampliar a lisura e a segurança de todas as etapas de preparação e realização do pleito.

Na mesma reunião, o então ministro da Defesa e general da reserva do Exército, Paulo Sérgio Nogueira, admitiu que a finalidade da participação dos militares na comissão era garantir a reeleição de Bolsonaro.

Sem provas

Bolsonaro também sustentou, sem provas, que Moraes estaria "levando US$ 50 milhões" para fraudar o resultado das eleições de 2022 e favorecer o petista Luiz In√°cio Lula da Silva. Ele também acusou Fachin e o também ministro do Supremo Luís Roberto Barroso de receberem indevidamente US$ 30 milhões.

"Pessoal, perder uma eleição não tem problema nenhum. Nós não podemos é perder a democracia numa eleição fraudada. Olha o Fachin. Os caras não t√™m limite. Eu não vou falar que o Fachin t√° levando 30 milhões de dólares. Não vou falar isso aí", afirmou. "O ... que o Barroso t√° levando 30 milhões de dólares. Não vou falar isso aí. Que o Alexandre de Moraes t√° levando 50 milhões de dólares. Não vou falar isso aí. Não vou levar pra esse lado. Não tenho prova, pô! Mas algo esquisito est√° acontecendo."

Em um dos trechos, o ex-chefe do Executivo admite não ter provas do recebimento desse pagamento por parte dos ministros do STF, mas que "não resta dúvidas" de que ele teria sido feito. "Ser√° que é grana que tem nisso? Eu chutei um número aleatório (¬Ö) Eu j√° fui convidado para locais cabulosos aqui em Brasília", declarou.

Fonte: Correio Braziliense

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