Quinta, 29 de Outubro de 2026 10:12
83999372115
Geral Política

PF investiga Paulo Guedes por crime contra o sistema financeiro

Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino são investigados em inquérito aberto em fevereiro que tramita sob sigilo na Justiça Federal

29/10/2026 08h36
Por: Redação Fonte: Metrópoles/Tácio Lorran
Reprodução/Flow Podcast
Reprodução/Flow Podcast

A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A informação consta em documento obtido pela coluna. Os dois aparecem como investigados em um inquérito aberto em fevereiro deste ano e que tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná.

Em 24 de setembro, a coluna revelou que Paulo Guedes atuou na linha de frente da OnilX, empresa que tem dado calote em dezenas de investidores que aportaram seus recursos em criptomoedas diante da promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês.

O ex-ministro da Economia prestou consultoria à companhia, participou de reuniões estratégicas, recebeu potenciais investidores em conversas privadas e teve a imagem utilizada em materiais de divulgação da empresa.

Em uma publicação feita pela própria OnilX, Paulo Guedes apareceu ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa em uma reunião descrita como de “alta relevância estratégica”. Na ocasião, o ex-ministro foi apresentado como alguém que dava “suporte e visão” ao negócio.

Guedes também participou de palestras para investidores e assessores da OnilX. Em uma delas, para uma plateia de quase 500 pessoas, elogiou a empresa e afirmou que ela teria papel central no avanço do mundo digital.

A relação com o ex-ministro chegou a aparecer em processos movidos por investidores. Um casal que cobra R$ 876,5 mil da empresa afirmou à Justiça que decidiu manter e aumentar os investimentos depois de participar de uma reunião com Guedes na sede da OnilX, em abril. Quatro meses depois, segundo os investidores, houve tentativa de resgate dos valores, sem sucesso.

Em outro processo, uma assessora da empresa citou Guedes ao tentar convencer um potencial cliente a investir. Segundo a mensagem anexada aos autos, ela dizia que o ex-ministro “tá dentro da empresa” e que seria possível marcar uma reunião com ele para discutir estratégias caso o interessado tivesse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para aplicar.

A OnilX, por sua vez, passou a enfrentar problemas regulatórios e judiciais. Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, o colegiado da autarquia manteve a ordem, mas esclareceu que ela não alcançava a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, quando não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento.

A coluna identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro. Investidores alegam dificuldades para resgatar valores aplicados em produtos relacionados a criptomoedas e stablecoins e, em alguns casos, levantam suspeitas de pirâmide financeira. A OnilX nega as acusações e afirma que atua regularmente no mercado de ativos virtuais.

O inquérito policial foi autuado em 10 de fevereiro deste ano, na 9ª Vara Federal de Curitiba. O processo é classificado como criminal e tem como assunto principal “crimes contra o Sistema Financeiro Nacional”, previstos na Lei nº 7.492/1986. A investigação está sob responsabilidade da Polícia Federal no Paraná, com participação do Ministério Público Federal.

O andamento processual, obtido pela coluna, mostra uma sequência de diligências ao longo deste ano. Em 21 de setembro, houve despacho judicial e expedição de intimações relacionadas a Fábio Lino, à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. Em outubro, o processo continuou registrando movimentações, incluindo novas petições e diligências policiais.

Paulo Guedes é representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso. Os dois também aparecem entre os advogados de Fábio Lino no inquérito. Procurada, a defesa não respondeu aos contatos da coluna. O espaço segue aberto para manifestações.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias