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Silêncio do governo irrita servidores e líderes sindicais

Líderes sindicais reclamam que não conseguem nem marcar reunião para discutir reajuste e reforçam determinação pela greve

Por Israel Medeiros em 05/01/2022 às 16:12:22
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O governo mantém sil√™ncio sobre a imin√™ncia de uma paralisa√ß√£o generalizada dos servidores públicos, que pode impactar servi√ßos e atividades essenciais. A reclama√ß√£o é de sindicatos e organiza√ß√Ķes do funcionalismo federal. Segundo líderes sindicais, o Executivo foi procurado para marcar reuni√Ķes, a fim de chegar a uma solu√ß√£o capaz de garantir reajuste salarial das categorias — algumas est√£o com sal√°rios congelados desde 2017 —, porém n√£o houve retorno. A falta de resposta pode resultar numa greve geral em fevereiro.

Para este m√™s, est√£o marcadas paralisa√ß√Ķes com atos nos dias 18, 25 e 26. No caso do dia 18, o plano é fazer uma paralisa√ß√£o em diversos órg√£os. Os servidores de v√°rias carreiras v√£o se encontrar na frente do Banco Central, às 10h, para protestar contra o congelamento de sal√°rios e pedir reajustes. Mais tarde, às 14h, a mobiliza√ß√£o segue para o Ministério da Economia.

Segundo Rudinei Marques, presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), houve uma reuni√£o, ontem, para definir os locais de manifesta√ß√Ķes no dia 18. "As entidades est√£o fazendo assembleias, mas, até agora, n√£o tivemos qualquer retorno do governo, nem mesmo às tentativas de marcar reuni√Ķes", ressaltou. "Escolhemos o Banco Central como um dos locais porque é um órg√£o simbólico. Talvez o ato passe, também, por outros órg√£os que representam a luta dos servidores."

Marques afirmou que o congelamento de sal√°rios atinge 1,1 milh√£o de servidores e que h√° urg√™ncia para conseguir reajustes neste ano. Ele disse que o movimento tem crescido em ades√Ķes.

Outro que se mobiliza para promover atos é o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), que reúne representantes do Banco Central e da Receita Federal, entre outros.

O Fórum tem uma reuni√£o marcada para o dia 14 e, segundo Rudinei Marques, haver√° conversas nos próximos dias para tentar unificar os movimentos. "Se o governo continuar nos ignorando, n√£o temos op√ß√Ķes a n√£o ser fazer greve geral", amea√ßou.

No caso do Banco Central, o clima de insatisfa√ß√£o se intensificou na última semana. V√°rios funcion√°rios passaram a entregar cargos em comiss√Ķes gerenciais. Estima-se que, até ontem, cerca de 1,2 mil j√° tinham aderido ao movimento. O número representa mais de um ter√ßo do total do efetivo do órg√£o.

Press√£o

F√°bio Faiad, presidente do Sindicato Nacional dos Funcion√°rios do Banco Central (Sinal), destacou que um dos objetivos da entidade — que faz parte do Fonacate e também vai parar no dia 18 — é pressionar o presidente do órg√£o, Roberto Campos Neto, a receb√™-los para dar satisfa√ß√Ķes sobre o que tem sido feito sobre o reajuste salarial. O BC é um dos órg√£os, por exemplo, que n√£o est√° previsto concurso para este ano, algo que é uma demanda antiga da categoria.

"O sindicato j√° vem pedindo, h√° anos, o concurso, e essa é uma demanda até da diretoria do banco, mas o ministro Paulo Guedes (da Economia) é terrível para poder conceder novos concursos. É uma vis√£o equivocada", reprovou. "O banco tem, por lei, direito a ter mais de seis mil servidores. Hoje, est√° com 3,5 mil. Isso é um absurdo. Muita coisa poderia estar sendo feita para a sociedade brasileira e n√£o est√°, por conta da política do ministro Paulo Guedes."

Desde 2018 o Ministério da Economia ignora novos pedidos de concurso do Banco Central. No ano passado, Roberto Campos Neto chegou a fazer uma nova solicita√ß√£o e cobrar Guedes publicamente. O pedido previa 245 vagas para os cargos de analista, técnico e procurador.

Culpa

Para Gil Castello Branco, secret√°rio-geral da Associa√ß√£o Contas Abertas, uma eventual paralisa√ß√£o dos servi√ßos públicos ter√° o governo federal como principal culpado. "Às vésperas da aprova√ß√£o do Or√ßamento de 2022, o Executivo insistiu para que fossem alocados R$ 2,9 bilh√Ķes que seriam destinados a reposi√ß√Ķes salariais, exclusivamente, das carreiras relacionadas à √°rea de seguran√ßa (policiais federais, policiais rodovi√°rios federais e agentes do Departamento Penitenci√°rio), categorias essas que o presidente da República considera como parte do seu eleitorado", enfatizou.

Ele lembrou que o Congresso previu na pe√ßa or√ßament√°ria R$ 1,7 bilh√£o para esse fim e, "em tratativas com o Ministério da Economia, reduziu verbas da pasta, notadamente da Receita Federal, destinada a equipamentos e sistemas informatizados". "Ou seja, parafraseando um ditado popular, o governo cutucou o 'le√£o' com vara curta e gerou revolta em todas as demais categorias, que também est√£o sem reposi√ß√£o salarial", acrescentou.

Castello Branco frisou que cada ponto percentual de aumento salarial dos servidores públicos gera impacto de R$ 3 bilh√Ķes a R$ 4 bilh√Ķes. "Um hipotético pequeno aumento de 5% ocasionaria aumento da despesa entre R$ 15 e R$ 20 bilh√Ķes. O aumento seletivo, apenas para aqueles que s√£o considerados como da base eleitoral do presidente, é, inclusive, inconstitucional, como disse o ex-ministro do STF, Marco Aurélio Mello, ao Correio", finalizou.

Fonte: Correio Braziliense

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