Pol√≠tica INQU√ČRITO

Bolsonaro se dispõe a depor presencialmente em inquérito que apura intervenção na PF

Presidente se antecipou à decis√£o do STF. A mudan√ßa de posicionamento foi anunciada durante sess√£o da Corte pela Advocacia-Geral da Uni√£o (AGU)

Por Ingrid Soares

06/10/2021 às 17:11:05 - Atualizado h√°
(crédito: Alan Santos/PR))

O presidente Jair Bolsonaro se antecipou, nesta quarta-feira (6/10), à decis√£o do Supremo Tribunal Federal (STF) e se colocou à disposi√ß√£o para prestar depoimento presencialmente no inquérito que apura suposta interfer√™ncia política na Polícia Federal (PF). O chefe do Executivo vinha pleiteando que a manifesta√ß√£o ocorresse por escrito.

A mudança de posicionamento foi anunciada durante sessão da Corte pela Advocacia-Geral da União (AGU). O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, chegou a iniciar o julgamento que decidiria se ele poderia ou não prestar depoimento por escrito e acabou suspendendo a votação para analisar a proposta.

No documento ao qual o Correio teve acesso, a AGU afirma que Bolsonaro "manifesta perante essa Suprema Corte o seu interesse em prestar depoimento em rela√ß√£o aos fatos objeto deste Inquérito mediante comparecimento pessoal".

"Requer lhe seja facultada a possibilidade de ser inquirido em local, dia e hora previamente ajustados, em aplica√ß√£o ao que prev√™ o artigo 221, caput do Código de Processo Penal, prerrogativa que compatibilizar√° o pleno exercício das fun√ß√Ķes de Chefe de Estado e do seu direito de defesa na ocasi√£o da presta√ß√£o de depoimento em modo presencial", diz o documento assinado pelo AGU, Bruno Bianco.

Por fim, aponta que Bolsonaro tem "o intuito de total colabora√ß√£o com a Corte". "Tendo em vista a inclus√£o do agravo na pauta de julgamentos do Plen√°rio em sess√£o a ser realizada hoje, o Requerente apresenta esta manifesta√ß√£o no intuito da plena colabora√ß√£o com a jurisdi√ß√£o dessa Suprema Corte. Desse modo, requer seja considerada a presente manifesta√ß√£o no julgamento do recurso, e desde j√° postula pelo juízo de reconsidera√ß√£o, se assim entender cabível o Sr. Ministro Relator, a fim de possibilitar o exercício da prerrogativa anteriormente indicada".

O presidente est√° na condi√ß√£o de investigado pelo caso. Uma das provas é um vídeo de uma reuni√£o ministerial ocorrida no Pal√°cio do Planalto em 22 de abril de 2020. No encontro, o chefe do Executivo disse que iria "intervir" na superintend√™ncia da corpora√ß√£o no Rio de Janeiro, para beneficiar familiares.

Bolsonaro chega a dizer que n√£o esperaria "fo*** a família" para trocar alguém da seguran√ßa. "Eu n√£o vou esperar fo*** a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu n√£o posso trocar alguém da seguran√ßa na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se n√£o puder trocar, troca o chefe dele! N√£o pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! N√£o estamos aqui para brincadeira", disse o presidente. Depois da repercuss√£o, Bolsonaro alegou que fez refer√™ncia à seguran√ßa pessoal de sua família, e n√£o à Polícia Federal.

Fonte: Correio Braziliense
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