Política

Representante da Davati diz que Dias o procurou para tratar de vacina

Cristiano Carvalho presta depoimento à CPI da Pandemia nesta quinta

Por Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil - Brasília, Edição: Juliana Andrade

15/07/2021 às 18:36:28 - Atualizado h√°
- Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O representante da empresa Davati Medical Supply no Brasil, Cristiano Carvalho, disse hoje (15), em depoimento à Comiss√£o Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que foi procurado pelo ent√£o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, para tratar da compra de vacinas.

O nome de Cristiano Carvalho foi citado durante depoimento à CPI pelo policial militar e vendedor autônomo da Davati Luiz Paulo Dominguetti. Na ocasi√£o, Dominguetti relatou atuar nas tratativas para a venda de 400 milh√Ķes de doses da vacina da AstraZeneca ao governo federal em nome da empresa Davati e que Dias teria pedido propina de US$ 1 por dose. Em depoimento à CPI, o ex-diretor negou ter pedido vantagens para a aquisi√ß√£o de vacina contra a covid-19.

Carvalho disse que Dias come√ßou a mandar mensagens para ele em 3 de mar√ßo. Nas mensagens, Dias se apresentava como diretor de Logística do ministério e pedia uma conversa. Foram v√°rias mensagens e duas liga√ß√Ķes via aplicativo de mensagens.

"N√£o retornei a primeira mensagem. Eu estava absolutamente incrédulo que era um funcion√°rio do Ministério da Saúde entrando em contato comigo. Ele se apresentou como diretor de Logística e eu fui checar, estava achando que era fake news", disse.

Carvalho também contou que come√ßou a ter contato com Dominguetti em fevereiro, quando o policial militar disse estar interessado na compra de vacinas. O representante da Davati também afirmou n√£o saber como Dominguetti teve acesso a Dias para negociar vacinas.

"Eu sempre fui incrédulo [em rela√ß√£o à] comercializa√ß√£o de vacinas. Nunca dei muita aten√ß√£o para isso, comecei a dar um pouco de aten√ß√£o quando come√ßaram a chegar a mim contatos oficiais do Ministério da Saúde, e-mails, telefonemas. Aí, comecei a dar maior aten√ß√£o", afirmou.

Durante seu depoimento, Carvalho também leu uma carta enviada por Herman Cardenas, presidente da Davati nos EUA, para o ent√£o secret√°rio executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco. O documento apresentava a vacina da Johnson & Johnson como uma solu√ß√£o "mais econômica e com menor prazo de entrega para o governo brasileiro".

Carvalho também relatou o encontro de que participou no Instituto For√ßa Brasil, presidido pelo coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida, na qual estavam presentes o reverendo Amilton Gomes, presidente da Secretaria Nacional de Assuntos Humanit√°rios (Senah) e representante do ministério.

Segundo Carvalho, após a reuni√£o, Dominguetti usou o termo "comissionamento" para falar sobre o suposto pedido de propina.

"Ele se referiu a esse comissionamento como vindo do grupo do tenente-coronel Blanco [coronel Marcelo Blanco, ex-diretor substituto do Departamento de Logística do Ministério da Saúde] e a pessoa que tinha apresentado ele ao Blanco, chamada Odilon", disse.

Carvalho também disse que se reuniu com Elcio Franco para tratar da venda das vacinas e que a reuni√£o foi intermediada pelo coronel Helcio Almeida. Ele disse ainda deu um ofício para que o reverendo Amilton Gomes representasse a Davati na opera√ß√£o de compra das vacinas. Questionado sobre a remunera√ß√£o para o reverendo, Carvalho disse que Amilton tinha essas tratativas com Dominguetti e que o pagamento estava sendo chamado de "benefício".

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), destacou que as tratativas n√£o foram para frente e que n√£o foi pago nenhum valor. "Estou aqui constrangido com os di√°logos que est√£o sendo mostrados e que citam v√°rias pessoas do ministério. Mas fa√ßo a observa√ß√£o de que essas negocia√ß√Ķes n√£o foram pra frente, n√£o se comprou uma dose de vacina", disse.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), lembrou que Franco, quando era secret√°rio executivo do Ministério da Saúde, foi designado como um dos únicos respons√°veis pela compra de imunizantes. Para Aziz, o comportamento de Franco foi diferente na negocia√ß√£o de outras vacinas como a Pfizer e a CoronaVac.

Davati

Inicialmente, Carvalho relatou aos senadores não ter relação com a Davati e que a empresa não possui operação no Brasil, apenas nos Estados Unidos, no estado do Texas. Questionado pelos senadores, Carvalho disse ter uma carta de representação da empresa para atuar no Brasil, mas que o documento não teria valor legal.

"Teoricamente n√£o é um contrato, eu tenho poderes limitados para representar a empresa no Brasil e eventualmente fazer negócios", acrescentou.

Fonte: Agência Brasil
Comunicar erro
Portal Nordeste

© 2021 Portal Nordeste - Todos os direitos reservados.

•   Política de Cookies •   Política de Privacidade    •   Contato   •

Portal Nordeste