Política CPI DA COVID

CPI recua em pedido para quebra de sigilo do vereador Carlos Bolsonaro

Possibilidade foi discutida dentro do G7, grupo de sete senadores de oposição ou independentes ao governo que são titulares na comissão, mas ainda não há consenso por receio de politização. Houve recuo também em relação a Fabio Wajngarten

Por Sarah Teófilo

09/06/2021 às 17:46:34 - Atualizado h√°
(crédito: Sergio Lima/AFP)

A Comiss√£o Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19 recuou no pedido de quebra de sigilo do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro. Fala-se em convocar o vereador desde que ele foi citado pelo ex-ministro da Sa√ļde Luiz Henrique Mandetta em oitiva na CPI. Até o momento, no entanto, n√£o houve consenso no G7, grupo de sete senadores de oposi√ß√£o ou independentes ao governo que s√£o titulares na comiss√£o. O grupo é maioria, enquanto a base governista tem quatro senadores titulares.

O grupo decidiu votar quebras de sigilo telefônico e telem√°tico de algumas pessoas nesta semana. Após amplo debate entre eles, houve a inten√ß√£o de colocar o nome do vereador. A ideia seria coletar informa√ß√Ķes, e depois cham√°-lo. Existe, entretanto, resist√™ncia dentro do G7, por receio de politizar a comiss√£o, e o nome de Carlos n√£o entrou na pauta desta quarta-feira. Além disso, a ideia é pedir a quebra de sigilo apenas de casos com informa√ß√Ķes robustas para evitar impedimento judicial.

Eles também recuaram no pedido der quebra de sigilo do ex-secret√°rio de Comunica√ß√£o da Presid√™ncia Fabio Wajngarten, que n√£o entrou em pauta. A reportagem apurou que a retirada do nome do ex-secret√°rio foi uma estratégia do próprio presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). A inten√ß√£o é aguardar mais informa√ß√Ķes para um pedido de quebra mais robusto, quando a expectativa é de que cheguem mais documenta√ß√Ķes nos próximos dias.

Na pauta de requerimentos do dia, o presidente da CPI n√£o incluiu o nome de Carlos, o 02 de Bolsonaro. Os parlamentares do G7 se reuniram na noite da √ļltima ter√ßa-feira (8) e discutiram as convoca√ß√Ķes e quebras de sigilo. Ambas as quest√Ķes foram inclu√≠das na pauta do dia, mas o grupo acabou n√£o votando as quebras após um pedido do l√≠der do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), que solicitou tempo para que seja poss√≠vel "aprofundar a an√°lise da necessidade de votar". Aziz deixou os requerimentos para vota√ß√£o na quinta-feira (10).

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que a quebra de sigilo é uma medida dura, quando é uma "viola√ß√£o da inviolabilidade pessoal do indiv√≠duo", e que é preciso de elementos robustos para tal. Questionado sobre o recuo em rela√ß√£o a Wangarten, negou que haja recuo. De acordo com ele, est√£o medindo "passo a passo, juntando informa√ß√Ķes", visto que um pedido de quebra de sigilo é uma medida dura.

"Os elementos que já temos na CPI levam aos nomes que estão apresentados a se ter a quebra de sigilo. Os nomes que estamos apresentando, os documentos que temos nos leva a necessidade de quebra de sigilo desses daí. Os outros, ainda não. Não queremos correr o risco de ser anulada na Justiça. Então, os nomes que hoje colocamos são os que analisamos, têm elementos fortes e não se corre o risco de as quebras serem anuladas", disse.

O senador Humberto Costa (PT-PE) também negou que tenha havido um recurso em rela√ß√£o a Carlos Bolsonaro, mas, sim, uma avalia√ß√£o de que ainda n√£o h√° elementos suficientes.

As quebras de sigilo que estavam na pauta do dia s√£o do ex-ministro da Sa√ļde Eduardo Pazuello; da secret√°ria de Gest√£o do Trabalho e Educa√ß√£o do Ministério da Sa√ļde, Mayra Pinheiro; do assessor para assuntos internacionais da Presid√™ncia da Rep√ļblica, Filipe Martins; do advogado criminalista Zoser Hardman, ex-assessor especial de Pazuello na Sa√ļde; do tenente-médico Luciano Dias Azevedo, da Marinha; e do auditor do Tribunal de Contas da Uni√£o (TCU) Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, autor de um "estudo paralelo" no qual sustenta que metade das mortes creditadas à covid-19 n√£o ocorreu por causa da doen√ßa.

"Gabinete paralelo"

Carlos é apontado na CPI como suspeito de integrar o chamado "gabinete paralelo" depois de ter sido citado por Mandetta e pelo presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo. Ele falou sobre uma reuni√£o no dia 7 de dezembro do ano passado com Wajngarten. Na ocasi√£o, estava presente a diretora jur√≠dica da Pfizer.

Murillo leu um relato da diretora, que afirmou que após cerca de uma hora de reuni√£o, Wajngarten recebeu uma liga√ß√£o, saiu da sala e retornou. Minutos depois, entraram na sala de reuni√£o Filipe Martins e Carlos Bolsonaro. Wajngarten, ent√£o, explicou aos dois os esclarecimentos prestados pela Pfizer até ent√£o, segundo o executivo da farmac√™utica.

Fonte: Correio Braziliense
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