Sa√ļde

Covid-19: Fiocruz prevê entrega de 100 milhões de doses no 2º semestre

Acordo com AstraZeneca permite IFA para 50 milh√Ķes de doses

Por Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro, Edição: Valéria Aguiar

02/06/2021 às 16:38:21 - Atualizado h√°
Marcello_Casal

A Funda√ß√£o Oswaldo Cruz (Fiocruz) adiantou hoje (2) que a produ√ß√£o do Ingrediente Farmac√™utico Ativo (IFA) nacional deve permitir a entrega de 50 milh√Ķes de doses da vacina contra covid-19 em 2021. Segundo a funda√ß√£o, foi firmado novo acordo com a AstraZeneca para a importa√ß√£o de IFA suficiente para mais 50 milh√Ķes de doses, somando 100 milh√Ķes de doses a serem entregues no segundo semestre.

A proje√ß√£o inicial da funda√ß√£o, divulgada ainda em 2020, era a produ√ß√£o de 110 milh√Ķes de doses com IFA nacional em 2021, mas a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, explicou que essa era uma estimativa feita ainda com a vacina em fase de testes.

"As 110 milh√Ķes foram uma estimativa com os dados que tínhamos antes mesmo de a vacina ser aprovada, antes de v√°rias etapas terem acontecido e os problemas iniciais com o IFA", citou a presidente da funda√ß√£o, ao refor√ßar que a Fiocruz trabalha para conseguir mais IFA e produzir mais vacinas. "Nosso esfor√ßo é por IFA adicional, e isso j√° est√° contratualizado. Um esfor√ßo para mais IFA, se for possível, porque h√° uma car√™ncia [internacional]. Essa vacina est√° sendo usada em 170 países".

A Fiocruz assinou nesta semana o acordo de transfer√™ncia de tecnologia com a AstraZeneca para garantir a produ√ß√£o de IFA nacional. Até o fim de julho, ser√£o entregues 100,4 milh√Ķes de doses produzidas somente com IFA importado e previstas no acordo de encomenda tecnológica, assinado no ano passado.

Além do esfor√ßo para ampliar a produ√ß√£o do segundo semestre, a Fiocruz busca reduzir a possibilidade de haver uma interrup√ß√£o de entregas, j√° que as doses da encomenda tecnológica ser√£o liberadas até julho e as da produ√ß√£o nacional de IFA só devem ter a distribui√ß√£o autorizada pela Anvisa em outubro. Além de carregamentos adicionais de IFA importado, a funda√ß√£o tenta conseguir também mais doses prontas, como as 4 milh√Ķes que chegaram da Índia em janeiro.

O diretor de Bio-Manguinhos, Maurício Zuma, ressaltou que todas as alternativas est√£o sendo avaliadas e articuladas para que mais vacinas sejam disponibilizadas à popula√ß√£o. Sobre a previs√£o inicial de doses totalmente nacionais, ele refor√ßou que o maior conhecimento sobre a vacina permitiu fazer uma previs√£o mais precisa.

"À medida em que a gente foi conhecendo melhor o processo, detalhando melhor os protocolos de produ√ß√£o e conhecendo melhor os rendimentos, à medida que a gente foi tendo essas informa√ß√Ķes, a gente teve uma capacidade maior de fazer uma previs√£o mais precisa", disse ele. "Nesse momento, a gente viu que até pode produzir mais do que 50 milh√Ķes de doses, mas dificilmente a gente consegue entregar, porque v√°rias dessas doses estar√£o em controle de qualidade".

Mesmo assim, o diretor destaca a dificuldade de fixar previs√Ķes de doses. "Vai depender do rendimento que a gente vai conseguir do IFA. O IFA varia lote a lote, tem concentra√ß√Ķes virais diferentes, volumes diferentes, e isso pode gerar mais ou menos doses".

Zuma avalia que a assinatura do contrato de transfer√™ncia de tecnologia ter acontecido no fim de maio n√£o atrasou a produ√ß√£o do IFA, porque as informa√ß√Ķes técnicas j√° vinham sendo compartilhadas pela AstraZeneca desde agosto do ano passado. A negocia√ß√£o do acordo, afirma ele, trouxe a possibilidade de aperfei√ßoamentos futuros na vacina serem compartilhados com a Fiocruz, assim como a funda√ß√£o se compromete a compartilhar quaisquer melhoramentos que fa√ßa na vacina.

Fonte: Agência Brasil
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