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Lula diz a reitores que educação vai sair do obscurantismo

Lula se reuniu com reitores de universidades e institutos federais

Por Andreia Verdélio - Repórter da Agência Brasil - Brasília - Edição: Fernando Fraga em 19/01/2023 às 20:22:32
- Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

- Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz In√°cio Lula da Silva disse hoje (19) a reitores de universidades federais e dos institutos federais de ensino que a reuni√£o era o "encontro da civiliza√ß√£o". "Estamos come√ßando um novo momento, sei do obscurantismo que se viveu nos últimos 4 anos, e eu quero dizer que estamos saindo das trevas para voltar à luminosidade de um novo tempo", disse, na abertura do encontro, no Pal√°cio do Planalto.

Segundo Lula, o governo buscar√° oferecer uma educa√ß√£o de qualidade, alinhada ao "novo mundo do trabalho" e às necessidades da sociedade. "As universidades t√™m que participar junto com empres√°rios, sindicatos, governo, para gente desvendar o que vai fazer para colocar as pessoas no mercado de trabalho", conclamou, citando a falta de qualifica√ß√£o de trabalhadores para ocupar fun√ß√Ķes que exigem conhecimento em tecnologia.

"Por exemplo, a quest√£o do clima é uma necessidade de sobreviv√™ncia da humanidade. E isso est√° no currículo escolar das universidades, das crian√ßas na escola? N√£o est√°. A gente n√£o forma pessoas com lei proibitivas, a gente forma com educa√ß√£o. Se a pessoa aprender na idade certa o que é a quest√£o clim√°tica e o que é a necessidade de n√£o poluir o planeta, a gente t√° salvo", disse Lula.

Para o presidente, a escolha dos cursos priorit√°rios para o país também deve ser motivo de discuss√£o. "O Brasil n√£o pode ser o país do mundo que tenha mais universidades para formar advogado, precisamos formar outras pessoas. Precisamos investir mais em engenharia, em médicos. Na maioria das cidades desse país, temos car√™ncia de médicos. É preciso adotar a política de levar benefício para a pessoa que mora distante, se n√£o ela vem para a cidade e vai ser mais uma pessoa pobre inflando a pobreza nas grandes metrópoles brasileiras, que custa muito mais caro que levar o benefício até ela", argumentou.

O presidente Lula defendeu a amplia√ß√£o de programas como o ProUni e o Fies, para abrir as portas da universidade e criar oportunidades para a popula√ß√£o mais pobre. "Deixa esse povo entrar para a gente ver como vai ter um país altamente melhor do que tem hoje", disse.

Lula disse ainda que, durante todo seu mandato, a autonomia das universidades ser√° garantida, com a nomea√ß√£o dos reitores escolhidos pela comunidade acad√™mica, e que far√° reuni√Ķes anuais para alinhar os compromissos. "Voc√™s ter√£o o direito de ser respons√°veis, porque quem é eleito para ser reitor deve ter responsabilidade com o dinheiro, com a administra√ß√£o e com o zelo da universidade", disse.

Di√°logo

Acompanharam o presidente Lula na reuni√£o os ministros da Educa√ß√£o, Camilo Santana; da Ci√™ncia e Tecnologia, Luciana Santos; da Secretaria-Geral, M√°rcio Mac√™do; e da Casa Civil, Rui Costa, além de encarregados de órg√£os como a Capes e o CNPq.

O ministro Camilo Santana disse que o Ministério da Educa√ß√£o voltar√° a dialogar com todos os atores do setor e vai retomar a valoriza√ß√£o e respeito pelo ensino superior no país. Entre os desafios, ele citou a amplia√ß√£o da oferta de vagas, o combate à evas√£o escolar, a retomada de obras paradas e o reajuste de bolsas.

Segundo o ministro, o reajuste de bolsas da Capes j√° foi autorizado pelo presidente e deve ser anunciado até o final deste m√™s.

Representantes de 106 institui√ß√Ķes estavam presentes na reuni√£o. Para o presidente da Associa√ß√£o Nacional dos Dirigentes das Institui√ß√Ķes Federais de Ensino Superior (Andifes), Ricardo Marcelo Fonseca, que também é reitor da Universidade Federal do Paran√° (UFPR), esse encontro, no primeiro m√™s da gest√£o do novo governo, é carregado de simbologia.

"Os reitores e as universidades federais foram maltratadas, detratadas, esganadas or√ßamentariamente. Fomos colocados como alvos, e pior, fomos alijados do nosso papel natural que é o papel de estar a servi√ßo do Brasil, dos projetos de desenvolvimento nacional", disse.

Fonseca lembrou que as universidades federais brasileiras est√£o a servi√ßo do Brasil, no desenvolvimento dos projetos estratégicos. "Seja na √°rea do meio ambiente, da energia limpa, da reindustrializa√ß√£o, seja na √°rea da educa√ß√£o, dos demais níveis de educa√ß√£o, para enfim acabar com essa dualidade entre a educa√ß√£o superior e os demais níveis de ensino. Porque a universidade entende que a educa√ß√£o b√°sica e os outros níveis de educa√ß√£o também s√£o assuntos nossos", defendeu.

Para ele, entretanto, é preciso garantir as condi√ß√Ķes para o desenvolvimento da fun√ß√£o natural da universidade. "Sejam meios or√ßament√°rios dignos e adequados, sejam meios para exercer nossa democracia interna, nossa constitucionalmente instituída autonomia universit√°ria", destacou.

Fonte: Agência Brasil

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